A inteligência artificial faz parte da rotina de profissionais de marketing, design, publicidade e comunicação, ajuda a gerar ideias, acelerar processos, criar imagens, produzir vídeos, analisar dados e transformar conceitos em protótipos com velocidade inédita. Mas, quando as mesmas ferramentas estão disponíveis para todos, como criar algo realmente original?
A resposta passa pela criatividade humana: é a experiência, o repertório, a observação e a capacidade de interpretar contextos que transformam uma ferramenta qualquer em uma solução criativa relevante. Hoje, um redator pode escrever um código, um designer pode desenvolver textos e um profissional de marketing pode criar imagens, vídeos e apresentações. Essa ampliação de competências pode tornar os times mais ágeis e colaborativos.
O risco aparece quando a tecnologia substitui o pensamento estratégico. Seguir os mesmos prompts, utilizar as mesmas referências e reproduzir as mesmas tendências pode levar à homogeneização da comunicação. A IA pode gerar alternativas, mas cabe às pessoas fazer perguntas melhores, selecionar caminhos, reconhecer nuances culturais e decidir o que realmente faz sentido para uma marca e para seu público.
Impacto da IA nos negócios criativos
O Relatório Creators’ Toolkit 2026 mostra como essa adoção vem impactando o mercado criativo. Segundo o levantamento, 87% dos criadores que utilizam a inteligência artificial afirmam que a tecnologia acelerou o crescimento de seus negócios ou de sua audiência.
Além disso, 75% dos entrevistados consideram a IA uma ferramenta essencial. O estudo também aponta que:
. 63% dos profissionais se sentem mais confiantes, mais profissionais ou mais comprometidos com o trabalho criativo após adotar a tecnologia;
. 40% afirmam que conteúdos produzidos com auxílio de plataformas de IA apresentam desempenho superior;
. 93% dizem que a inteligência artificial ajuda a produzir conteúdo com mais rapidez.
Os dados mostram que a IA pode contribuir para a otimização de processos. No entanto, velocidade e produtividade não são suficientes para garantir relevância. O próprio Relatório Creators’ Toolkit 2026 reforça a importância da participação humana no processo criativo. Para 81% dos entrevistados, o julgamento humano continua fundamental para definir o gosto e a qualidade de uma criação.
O levantamento também mostra que 57% dos respondentes consideram que os resultados produzidos por inteligência artificial exigem edição moderada ou extensa antes da publicação. Isso significa que a IA não elimina a necessidade de revisão, direção criativa e pensamento crítico. Pelo contrário: quanto mais a tecnologia participa da produção, maior é a importância de profissionais capazes de avaliar contexto, intenção, linguagem, impacto e coerência. A inteligência artificial ajuda a produzir. A criatividade humana ajuda a atribuir sentido.
Tecnologia, cultura e experiência real
Na campanha “Faz Bonito na Copa”, criada pela DreamOne em parceria com a Tintas Eucatex, a inteligência artificial foi utilizada em diferentes etapas do processo. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento da campanha também envolveu observação em campo, ações ao vivo, ativações colaborativas, acompanhamento de comportamentos, coleta de dados e mensuração de resultados. Esses elementos foram transformados em estratégia para aproximar a marca das pessoas e do contexto em que a campanha acontecia.
O exemplo mostra que a tecnologia pode fazer parte de uma campanha sem ser o seu único ponto de partida. A IA contribui com agilidade e possibilidades, mas a compreensão das pessoas, da cultura e da diversidade brasileira continua sendo essencial para construir uma comunicação relevante.